Trump afirma que não fechou acordo com Putin sobre a guerra na Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (16) que sua reunião de quase três horas com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, não resultou em um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia. Apesar disso, ele classificou o encontro como “muito produtivo”.
Em declarações breves à imprensa, ambos disseram ter avançado em alguns pontos, sem especificar quais, e evitaram responder a perguntas. “Houve muitos pontos de convergência, mas em questões importantes ainda não chegamos a um entendimento. Fizemos algum progresso”, declarou Trump diante de um painel com a frase “Buscando a Paz”.
Putin, por sua vez, afirmou esperar que a Ucrânia e seus aliados europeus recebam os resultados das negociações de forma construtiva. “Espero que os entendimentos de hoje sejam um marco, não apenas para a solução do conflito ucraniano, mas também para a retomada de relações pragmáticas entre Rússia e Estados Unidos”, disse.
Kiev não se pronunciou de imediato sobre a reunião.
Cenário e expectativas
O encontro ocorreu em uma base da Força Aérea no Alasca, com recepção formal marcada por tapete vermelho e sobrevoo de caças americanos. Foi a primeira cúpula entre Putin e um presidente dos EUA desde a invasão russa em larga escala à Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Para o líder russo, a simples realização da reunião já representa uma vitória política, pois sinaliza que Moscou voltou a ocupar espaço no cenário diplomático global, apesar das tentativas de isolamento impostas pelo Ocidente.
Trump, que chegou a dizer que poderia resolver a guerra em 24 horas, busca reforçar sua imagem de mediador internacional e até mesmo credenciar-se como candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Ele ressaltou que sua meta é alcançar um cessar-fogo rápido e que não pretende negociar concessões em nome de Kiev.
“Não estou aqui para negociar pela Ucrânia. Estou aqui para colocá-los à mesa”, afirmou.
Repercussões e desafios
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, que não foi convidado para a cúpula, expressou preocupação de que Trump pudesse aceitar, de forma implícita, o controle russo sobre parte do território ucraniano. Em mensagem nas redes sociais, reiterou que não aceitará ceder terras a Moscou e voltou a cobrar garantias de segurança do Ocidente.
“É hora de acabar com a guerra, e as medidas necessárias devem ser tomadas pela Rússia. Estamos contando com os Estados Unidos”, escreveu após um ataque russo que matou uma pessoa na região de Dnipropetrovsk.
Trump disse que ligará para Zelenskiy e para líderes da Otan para repassar detalhes da reunião e sinalizou a possibilidade de uma segunda cúpula, desta vez incluindo o presidente ucraniano.
Além dos dois chefes de Estado, participaram das conversas o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o assessor russo Yury Ushakov e o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.
Contexto do conflito
A guerra, que já dura mais de três anos, é considerada o conflito mais mortal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Milhares de civis, em sua maioria ucranianos, perderam a vida, e o número de mortos e feridos ultrapassa um milhão.
Putin é alvo de mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra relacionados à deportação de crianças ucranianas — acusações negadas por Moscou. Tanto Rússia quanto Ucrânia rejeitam a responsabilidade por ataques contra civis.
Apesar do esforço diplomático, a cúpula terminou sem sinais concretos de cessar-fogo, frustrando expectativas de um desfecho imediato.