A arrogância está acabando com o Ocidente!

O Ocidente, que durante séculos ditou as regras da política e da economia mundial, hoje se vê diante de um paradoxo: ao mesmo tempo em que se considera guardião dos valores democráticos e da modernidade, vem perdendo espaço em competitividade para o Oriente. Essa perda não se deve apenas a mudanças naturais no equilíbrio global, mas sobretudo a uma postura arrogante, que coloca a ideologia acima da eficiência, a disputa política acima da produtividade e o discurso moral acima da ciência.

Nos Estados Unidos e na Europa, governos e sociedades gastam energia em debates intermináveis sobre questões ideológicas, muitas vezes irrelevantes para o crescimento econômico. A polarização política é tamanha que inviabiliza consensos mínimos para avançar em reformas estruturais, investimentos em infraestrutura e políticas de inovação. Enquanto isso, países como China, Índia, Singapura e Vietnã concentram-se no essencial: crescimento, educação tecnológica, pesquisa científica e competitividade global.

O discurso de superioridade moral do Ocidente torna-se cada vez mais vazio diante dos números. A China, em poucas décadas, saiu de uma economia agrícola para se tornar a maior potência industrial do mundo. A Índia avança como referência em tecnologia da informação e serviços digitais. Singapura e Malásia são exemplos de eficiência logística e de atração de capital estrangeiro. O Vietnã cresce a taxas que envergonham qualquer país latino-americano. Esses países não se deixam aprisionar por disputas ideológicas internas, mas sim por objetivos estratégicos de longo prazo.

Na América Latina, a situação é ainda mais preocupante. Brasil, Argentina, México e outros países vivem mergulhados em batalhas políticas intermináveis, que pouco ou nada dialogam com a necessidade de melhorar a produtividade e a inserção no comércio internacional. Enquanto discutem narrativas e ideologias, perdem espaço nas cadeias globais de valor, dependem de exportação de commodities e deixam de investir em ciência, tecnologia e inovação.

O Ocidente, em vez de buscar competitividade, prefere adotar medidas protecionistas e discursar contra a ascensão oriental. A imposição de tarifas, a criação de barreiras comerciais e o medo da concorrência revelam não força, mas fraqueza. A arrogância de acreditar que continuará no topo por direito histórico impede a adaptação às novas realidades da economia global.

A educação é outro exemplo claro dessa diferença. Enquanto países orientais formam gerações inteiras em engenharia, ciências exatas e tecnologia, o Ocidente privilegia cursos e debates que pouco contribuem para a produtividade. A ciência é politizada, a pesquisa é burocratizada e, muitas vezes, subordinada a interesses eleitorais. Com isso, perde-se a capacidade de inovação que antes caracterizava o avanço ocidental.

O campo da infraestrutura mostra a mesma contradição. A China constrói ferrovias de alta velocidade, portos modernos e cidades inteligentes em ritmo acelerado. Já nos Estados Unidos e na Europa, muitos sistemas de transporte público estão obsoletos, estradas estão deterioradas e projetos estratégicos ficam travados por disputas políticas e ambientais que, embora importantes, não podem significar paralisia completa.

A arrogância ocidental também se expressa na crença de que pode impor padrões de governança e democracia a outros países, mesmo quando seu próprio sistema político mostra sinais de falência. A polarização nos Estados Unidos paralisa o Congresso, o populismo avança na Europa, e a América Latina convive com ciclos de instabilidade que corroem a confiança dos investidores. Essa falta de pragmatismo mina a competitividade de forma estrutural.

O Oriente, por sua vez, aposta em estratégias claras e consistentes. A China planeja décadas à frente, com metas definidas para 2035 e 2050. A Índia investe pesado em tecnologia da informação e energias renováveis. Singapura, mesmo sendo um país pequeno, transformou-se em hub financeiro e logístico mundial. Essa visão de futuro, baseada em metas concretas, contrasta com a miopia política do Ocidente.

Não se trata de idealizar o Oriente ou ignorar seus problemas internos, como autoritarismo, desigualdade e restrições de liberdade. Porém, é inegável que, ao colocar a produtividade e a competitividade no centro de suas políticas, esses países conseguem resultados muito mais consistentes que o Ocidente, que prefere se perder em debates superficiais e na autopromoção moral.

A ciência e a tecnologia ilustram bem essa diferença. A China avança em inteligência artificial, energia limpa, telecomunicações e exploração espacial. A Índia é referência em startups tecnológicas e inovação em serviços digitais. Já os Estados Unidos e a Europa, apesar de ainda manterem liderança em alguns setores, veem seu protagonismo ser constantemente desafiado e corroído pela falta de políticas estáveis e pela excessiva ideologização da pesquisa científica.

A América Latina, ao invés de aprender com os exemplos orientais, continua dependente da exportação de matérias-primas, sem investir de forma consistente em inovação. Governos se sucedem prometendo revoluções tecnológicas que nunca se concretizam, pois as prioridades sempre recaem sobre embates políticos e ideológicos que não resolvem os problemas reais da economia.

Se o Ocidente não abandonar sua arrogância e não voltar a priorizar competitividade, ciência e produtividade, perderá definitivamente seu protagonismo. O mundo não espera, e os países do Oriente avançam em ritmo acelerado. A história já mostrou que impérios caem não apenas pela força externa, mas, sobretudo, pela incapacidade interna de se renovar e se adaptar. Ou o Ocidente recupera a humildade de aprender e a capacidade de inovar, ou ficará relegado a um papel secundário no novo cenário global que já se desenha.

Farid Mendonça Júnior
Advogado, Economista, Administrador e Assessor Parlamentar no Senado Federal

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