Crescimento do uso da inteligência artificial na indústria traz avanços e novos desafios
O uso da inteligência artificial (IA) na indústria brasileira tem avançado de forma acelerada, transformando processos e exigindo adaptações estratégicas das empresas. Em apenas dois anos, a adoção da tecnologia mais que dobrou, alcançando 41,9% das indústrias, segundo dados da Pesquisa de Inovação Semestral (Pintec), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (24). Em 2022, esse índice era de 16,9%.
Esse crescimento reflete um movimento de transformação digital que se tornou essencial para garantir competitividade e participação no mercado. O número de empresas que utilizam IA saltou de 1.619 para 4.261, evidenciando que, hoje, investir em tecnologia deixou de ser opcional.
Grandes empresas lideram a adoção de IA
O levantamento aponta que a utilização da inteligência artificial é mais expressiva em empresas de maior porte. Entre aquelas com mais de 500 funcionários, 57,5% já incorporaram a tecnologia. Esse percentual diminui para 42,5% nas organizações com 250 a 499 empregados e para 36,1% nas que possuem 100 a 249 colaboradores.
Segundo Flávio José Marques Peixoto, gerente de pesquisas temáticas do IBGE, a popularização das IAs generativas — como o ChatGPT, lançado em 2022 — impulsionou esse avanço.
“Com a crescente demanda de clientes e fornecedores, especialmente nas áreas de logística e suprimentos, a adoção da inteligência artificial deixou de ser uma escolha. As empresas que não se adaptarem correm o risco de ficar fora das cadeias produtivas”, destacou Peixoto.
Benefícios e barreiras para a adoção da IA
O estudo também identificou as áreas e setores que mais se destacam no uso da tecnologia, além dos principais ganhos relatados pelas empresas.
Áreas que mais aplicam IA:
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Administração – 87,9%
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Comercialização – 75,2%
Setores mais avançados:
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Equipamentos de informática, eletrônicos e ópticos – 72,3%
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Máquinas e materiais elétricos – 59,3%
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Indústria química – 58%
Principais benefícios percebidos:
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Aumento da eficiência – 90,3%
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Maior flexibilidade nos processos – 89,5%
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Melhoria na relação com clientes e fornecedores – 85,6%
Apesar dos avanços, ainda existem desafios significativos.
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78,6% das empresas apontaram altos custos como principal obstáculo.
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54,2% relataram escassez de profissionais qualificados.
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Apenas 9,1% tiveram acesso a programas públicos de incentivo.
Entre as aplicações mais promissoras está a manutenção preditiva, que permite decisões autônomas na gestão de máquinas e processos produtivos.
Outras tecnologias digitais em ascensão
Além da IA, outras ferramentas digitais vêm ganhando espaço na indústria. O levantamento do IBGE destacou:
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Computação em nuvem: 77,2%
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Internet das Coisas (IoT): 50,3%
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Robótica: 30,5%
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Big Data: 27,8%
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Impressão 3D: 20,3%
Em contrapartida, o teletrabalho apresentou queda no setor, passando de 47,8% em 2022 para 42,9% em 2024.
Perspectivas para o setor
A pesquisa evidencia que a inteligência artificial deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar um requisito estratégico. Para garantir um crescimento sustentável, será necessário enfrentar os desafios relacionados a custos elevados e à formação de profissionais capacitados.
Se essas barreiras forem superadas, a transformação digital pode consolidar uma nova fase para a indústria brasileira, fortalecendo sua posição em cadeias produtivas globais e garantindo maior inovação e competitividade.
