EUA e Taiwan firmam acordo para reduzir tarifas e impulsionar investimentos em semicondutores

O pacto corta o imposto sobre produtos da ilha para 15% e prevê uma ampla expansão da presença de fabricantes taiwanesas de semicondutores, como a TSMC, nos Estados Unidos.

O comunicado divulgado pela Casa Branca não menciona explicitamente a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). Ainda assim, o desenho do acordo atende diretamente aos interesses da companhia, atualmente a maior produtora mundial de chips voltados à inteligência artificial.

Em declaração à CNBC, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou esperar uma participação “massiva” da TSMC no plano e destacou que já circulam informações sobre projetos de expansão relevantes da empresa em território americano.

De acordo com apuração recente da Bloomberg, o entendimento contempla a construção de pelo menos quatro novas fábricas da TSMC no Arizona. O pacote se soma às seis plantas industriais e a duas unidades de empacotamento avançado que a empresa já havia anunciado para o estado.

Autoridades do Departamento de Comércio indicam que a TSMC, ao lado de outras companhias do setor, deve responder pela maior parte do volume de US$ 250 bilhões em investimentos diretos previsto no acordo.

Outro bloco, também de US$ 250 bilhões, destinado a garantias de crédito, tende a favorecer principalmente fabricantes taiwanesas de pequeno e médio porte interessadas em instalar operações produtivas nos Estados Unidos.

Segundo Lutnick, o mecanismo foi oferecido porque essas empresas vinham sendo pressionadas pela perspectiva de tarifas significativamente mais elevadas. Sem a decisão de produzir em solo americano, alguns produtos poderiam ser taxados em até 100%.

O acordo ainda reduz tensões em uma parceria considerada estratégica. De um lado está a democracia de 23 milhões de habitantes que a China reivindica como parte de seu território; do outro, o principal aliado militar de Taipei. A negociação foi concluída após uma missão de alto escalão de Taiwan viajar a Washington para finalizar os termos com representantes do presidente Donald Trump.

O entendimento estabelece um teto de 15% para tarifas sobre autopeças, madeira e derivados originários de Taiwan, além de isentar medicamentos genéricos fabricados na ilha de impostos de importação.

No setor de semicondutores, empresas que estejam construindo fábricas nos Estados Unidos poderão importar chips sem cobrança tarifária em volume equivalente a até 2,5 vezes sua capacidade atual durante a fase de construção. Após o início das operações, o limite será reduzido para 1,5 vez.

O anúncio ocorre após uma investigação do Departamento de Comércio concluir que as importações de chips representam um risco à segurança nacional americana, embora o processo não tenha resultado em uma elevação ampla das tarifas.

Em vez disso, Trump optou por negociações individuais com grandes exportadores e concentrou uma tarifa de 25% sobre um conjunto específico de semicondutores avançados. A medida acabou abrindo espaço para que a Nvidia exportasse à China processadores de IA H200 fabricados em Taiwan.

Para Taiwan, o acordo ajuda a mitigar incertezas em uma economia fortemente impulsionada pelas exportações de tecnologia ligadas à inteligência artificial. O governo revisou a projeção de crescimento do PIB em 2025 para cerca de 7,3%, o maior patamar desde 2010, enquanto o superávit comercial com os Estados Unidos alcançou o recorde de US$ 150 bilhões no mesmo ano.

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