A utopia de um futuro justo, inovador e sustentável nos mantem em movimento. (discurso de encerramento do 2° Encontro do Ecossistema de Inovação)

Por: Luiz Frederico Oliveira de Aguiar

É com grande esperança, entusiasmo e um profundo senso de responsabilidade que encerramos este 2º Encontro do Ecossistema de Inovação da Amazônia Ocidental e Amapá. Foram dois dias intensos de diálogos, painéis, trocas de experiência e, acima de tudo, do fortalecimento do Ecossistema de Inovação em nossa região.

Para dar o tom deste encerramento, peço licença para começar citando um trecho que me inspira profundamente, vindo do discurso “Cidadania em uma República” de Theodore Roosevelt, conhecido como “O Homem na Arena”:

“Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente. Que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erros e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente. ”

Ousar grandemente. Essa frase ecoa em mim ao pensarmos no que é preciso para prosperar neste ecossistema. Não há palavra mais intrinsecamente ligada à inovação do que a ousadia.

Inovar é, por natureza, um ato de coragem. É se dispor a entrar na arena. É rejeitar o conforto do caminho conhecido e se expor ao risco da poeira e do suor. É enfrentar o ceticismo, o ‘sempre foi assim’, e as barreiras que surgem quando se tenta criar algo verdadeiramente novo.

Peço-lhes licença para lembrar da inspiradora história do meu amigo Alberjan Pinto, caboclo de Benjamin Constant, um dos atores do nosso ecossistema de inovação, que ousou enfrentar a pobreza, ousou enfrentar as várias dimensões da escassez que ele vivia no interior da Amazônia e que hoje, como engenheiro, está ajudando a nossa indústria a ser tornar uma Indústria 4.0.

Neste encontro, vimos a ousadia de pesquisadores, empresários, investidores e representantes do setor público, que não estão na plateia criticando, mas sim na arena, lutando para dar à Amazônia um futuro sustentável, inovador e tecnologicamente avançado.

Ousar, para nós, significa:

  • Apostar em Bioeconomia com responsabilidade, criando cadeias de valor inéditas que respeitam a floresta.
  • Investir em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em um cenário complexo, mas cheio de potencial.
  • Fortalecer os laços do Ecossistema que nos compromete a integrar forças, quebrar silos e caminhar juntos.

A inovação na Amazônia Ocidental e no Amapá exige a máxima coragem. Não é apenas uma questão econômica ou tecnológica, é um imperativo existencial, para transformar a riqueza natural em prosperidade econômica, social e ambiental.

Mas a coragem não basta sem uma direção, sem um Norte. E é aqui que a inovação encontra o seu maior motor: o sonho do futuro.

A coragem de inovar é o que nos faz começar; mas é a visão de um futuro melhor, de uma Utopia amazônica, que nos faz seguir adiante.

Recordo-me de uma reflexão profunda de Eduardo Galeano. Em seu texto “Para que serve a utopia?”, ele conta que a utopia está no horizonte. Eu dou dois passos, ela se afasta dois passos. Eu caminho dez passos, ela se afasta dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei. Então, ele pergunta:

“Para que serve a utopia? Serve para isso: para caminhar.”

A Utopia de uma Amazônia de pé, que gere riqueza e conhecimento para o Brasil e para o mundo, que usa sua biodiversidade para curar e inspirar, é o que nos impulsiona.

  • É o que faz um pesquisador passar madrugadas em laboratório.
  • É o que motiva um empreendedor a tirar um projeto do papel.
  • É o que inspira as instituições a fortalecerem seus laços.

Essa utopia não é um ponto de chegada, mas o combustível diário para a nossa jornada. É o horizonte que, embora aparentemente inatingível, garante que nossos passos sejam firmes e no rumo certo.

Neste ponto, após dois dias de trabalho árduo, de celebração dos avanços e de reconhecimento dos desafios, peço a vocês que olhem para o lado e vejam o colega de jornada.

Nós saímos daqui hoje com o compromisso de caminhar juntos. Com a convicção de que o nosso caminho é coletivo, é o caminho do Ecossistema.

E para encerrar, convido a todos a refletirem sobre os versos de um dos nossos maiores poetas e mestres, o amazonense Thiago de Mello, que nos ensina sobre o espírito e a direção da nossa caminhada:

“Não tenho caminho novo o que tenho de novo é o jeito de caminhar.

Mas com a dor dos deserdados e o sonho escuro da criança que dorme com fome aprendi que o mundo não é só meu.

Mas sobretudo aprendi que na verdade o que importa antes que a vida apodreça é trabalhar na mudança do que é preciso mudar cada um na sua vez cada qual no seu lugar.”

Que saibamos ousar grandemente na arena da inovação. Que a utopia de um futuro justo, inovador e sustentável nos mantenha em movimento. E que cada um de nós, no seu lugar e na sua vez, incorpore o novo jeito de caminhar que a Amazônia Ocidental e o Amapá precisam.

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