Acordo Mercosul-União Europeia: Brasil e Espanha intensificam esforços, mas impasses persistem

Após mais de 20 anos de negociações, o tratado entre Mercosul e União Europeia voltou ao centro das discussões. Brasil e Espanha trabalham para que a assinatura ocorra em dezembro de 2025, mas entraves ligados ao setor agrícola e a questões ambientais ainda ameaçam adiar o desfecho.

Acordo Mercosul-União Europeia: Brasil e Espanha ampliam pressão por assinatura em 2025

O tratado entre Mercosul e União Europeia, negociado há mais de duas décadas, ganhou novo fôlego com o apoio explícito de Brasil e Espanha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro Pedro Sánchez defendem a assinatura ainda em 2025, mas resistências agrícolas e ambientais mantêm incertezas sobre o cronograma.

A Comissão Europeia propôs que a parte comercial entre em vigor de forma provisória, permitindo que regras de exportação e importação sejam aplicadas antes da ratificação pelos parlamentos nacionais. Para o ministro da Agricultura da Espanha, Luis Planas, trata-se de um momento decisivo. Ele destacou que as cláusulas de salvaguarda são “as mais robustas já vistas em um tratado comercial” e pediu celeridade no processo.

“É uma grande oportunidade: 700 milhões de pessoas, quatro países do Mercosul e 27 da União Europeia; portanto, não se deve perder um minuto”, afirmou Planas em Bruxelas.

Se aprovado, o acordo criará uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Estimativas do Ipea indicam que o Brasil poderia ampliar seu PIB em 0,5% ao ano, com exportações crescendo até 3,4% até 2034. Além do impacto econômico, o pacto tem peso geopolítico, reduzindo a dependência de mercados protecionistas e equilibrando a influência da China.

Linha do tempo

  • 1999: início das negociações.

  • 2019: acordo político inicial.

  • 2020–2023: impasses ambientais e agrícolas.

  • Dezembro/2024: conclusão do texto final.

  • Setembro/2025: Comissão Europeia envia texto ao Conselho.

  • Dezembro/2025 (previsto): assinatura em Brasília.

  • A partir de 2026: entrada em vigor provisória da parte comercial.

Ganhos e riscos para o Mercosul
O Brasil deve ser o maior beneficiado, com expansão das exportações agroindustriais e acesso mais barato a insumos europeus. Por outro lado, o país precisará investir em infraestrutura logística e adequação a exigências ambientais da UE. Argentina, Uruguai e Paraguai também vislumbram oportunidades no agronegócio, mas enfrentam riscos ligados à competitividade e às barreiras técnicas.

Entre a oportunidade e o veto
Apesar do apoio de Brasília e Madri, países como França, Irlanda e Polônia defendem salvaguardas adicionais. Caso o pacto seja adiado, o Mercosul pode acelerar tratativas com China e países árabes. Para especialistas, mais do que comércio, está em disputa o papel estratégico da Europa no Cone Sul na próxima década.

 

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