Indústria de máquinas e equipamentos registra alta de 13,9% nas vendas até julho

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou crescimento de 13,9% até julho de 2025, alcançando faturamento de R$ 174,5 bilhões. Apesar do avanço, o setor enfrenta obstáculos relacionados à competitividade, impulsionados pelo aumento das importações e pelo maior protagonismo da China. No mercado interno, as vendas tiveram alta de 18,2%, enquanto as exportações recuaram 4,4%. Esse cenário evidencia como a pressão dos produtos importados e as mudanças no comércio exterior podem definir os próximos rumos de um segmento essencial para a economia nacional.

A indústria brasileira de máquinas e equipamentos apresentou expansão no acumulado de 2025, mesmo diante da concorrência crescente de produtos importados e da forte presença chinesa. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (27/08) pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), o setor faturou R$ 174,5 bilhões entre janeiro e julho, um aumento de 13,9% em relação ao mesmo período de 2024.

O ritmo de crescimento, no entanto, foi menor do que em junho, quando havia registrado alta de 15,1%. O resultado foi sustentado principalmente pelos investimentos em agricultura e construção, enquanto a perda de competitividade continua sendo uma das principais preocupações da indústria.

No mercado interno, as vendas chegaram a R$ 133,8 bilhões, um avanço de 18,2% frente a 2024. Já as exportações tiveram queda de 4,4%, somando US$ 7,05 bilhões nos sete primeiros meses do ano. Apenas em julho, antes do impacto das tarifas norte-americanas, os embarques totalizaram US$ 1,2 bilhão, retração de 4,8% em relação a julho de 2024. No sentido oposto, as importações aumentaram 10,5%, alcançando US$ 18,6 bilhões.


Exportações mudam de rota

Os dados mostram uma reconfiguração nos destinos das exportações brasileiras do setor:

  • América do Norte: retração de 11,6% nas vendas.

  • Europa: crescimento de 10,7%.

  • América do Sul: expansão de 15,9%.

  • Argentina: alta expressiva de 52,4% no acumulado.

    • Máquinas agrícolas: +104%.

    • Máquinas para construção: +87%.

  • Estados Unidos: mesmo sendo destino de 26,1% das exportações, reduziram as compras em 10,6%.

    • Máquinas para construção: queda de 21%.

Pressão chinesa e perda de espaço no mercado interno

A participação de produtos importados no consumo brasileiro do setor chegou a 46% em 2025, sinalizando a perda de espaço da indústria nacional. A China foi a principal responsável por esse movimento: em dez anos, sua fatia nas importações brasileiras de máquinas e equipamentos dobrou, passando de 16,6% para 32%.

Segundo a Abimaq, esse avanço pressiona a produção doméstica e reforça a necessidade de medidas de política industrial capazes de fortalecer a competitividade do setor no país.

Leave comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *.