Lula defende criação de novo sistema financeiro global durante encontro do Brics

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a atual estrutura do sistema financeiro internacional e defendeu a criação de um novo modelo durante a Cúpula de líderes do Brics, realizada nesta segunda-feira (7), no Rio de Janeiro. Para o chefe do Executivo, é preciso repensar os mecanismos de crédito globais e estabelecer paradigmas diferentes dos adotados desde a Segunda Guerra Mundial.

Em seu discurso, Lula ressaltou que o objetivo não é simplesmente substituir instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), mas transformá-las para que atendam às necessidades reais dos países mais pobres. “Não queremos mudanças porque não gostamos do FMI. Queremos mudanças para que o FMI seja, de fato, um banco de investimento, capaz de apoiar o desenvolvimento das nações mais vulneráveis”, afirmou.

O sistema financeiro vigente tem como base o acordo de Bretton Woods, firmado em 1944, que deu origem ao FMI e ao Banco Mundial. Embora esse arranjo tenha sido pensado para reconstruir a economia no pós-guerra, Lula argumenta que sua lógica já não responde aos desafios das economias emergentes. “Não é para emprestar e levar países à falência, como tem acontecido. O modelo atual de austeridade apenas transforma as dívidas em algo cada vez mais impagável”, destacou.

O presidente também defendeu alternativas para que países endividados possam transformar seus compromissos financeiros em investimentos em áreas estratégicas, como infraestrutura, saúde e educação. Nesse sentido, citou o Novo Banco de Desenvolvimento, instituição criada pelo Brics, como exemplo de que é possível adotar formatos de financiamento mais inclusivos e sustentáveis.

A proposta de criação de uma moeda comum para o bloco, embora já defendida por Lula em outros momentos, não avançou nesta edição da cúpula. O tema foi evitado principalmente pelo contexto de tensão com os Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem sinalizado que poderá impor sanções a países que tentarem reduzir a influência do dólar no comércio internacional.

Lula já havia levado essa mesma pauta à Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2024, quando alertou para a necessidade de reformar o quadro de financiamento global. Para ele, a discussão é central não apenas para o Brics, mas para repensar a forma como as relações econômicas internacionais podem favorecer o crescimento equilibrado entre diferentes regiões do mundo.

Leave comment

Your email address will not be published. Required fields are marked with *.