Lula quer tornar Brasil competitivo em InteligĂȘncia Artificial

Presidente defendeu o desenvolvimento de um plano de IA no PaĂs durante a 2ÂȘ ReuniĂŁo OrdinĂĄria do Conselho Nacional de CiĂȘncia e Tecnologia nesta quinta-feira (7/3)
O presidente da RepĂșblica, Luiz InĂĄcio Lula da Silva, participou, nesta quinta-feira (7/3), da 2ÂȘ ReuniĂŁo OrdinĂĄria do Conselho Nacional de CiĂȘncia e Tecnologia (CCT), no PalĂĄcio do Planalto, com o tema âOs avanços da InteligĂȘncia Artificial (IA) no Brasilâ. Na ocasiĂŁo, Lula, que preside o CCT, pediu para os conselheiros elaborarem uma proposta de polĂtica de IA com o objetivo de tornar o Brasil competitivo na ĂĄrea a nĂvel mundial.
Se vocĂȘs tiverem inteligĂȘncia de fazer a proposta, eu terei a coragem da gente criar uma polĂtica brasileira de inteligĂȘncia artificial.â
Luiz InĂĄcio Lula da Silva, presidente da RepĂșblica
âO discurso nĂŁo faz o dinheiro, mas o projeto faz o dinheiro. EntĂŁo aproveitem a inteligĂȘncia humana de vocĂȘs e façam uma proposta sobre essa questĂŁo da inteligĂȘncia artificial e o Brasil vai virar competitivo no mundoâ, afirmou o presidente, durante o encontro do ĂłrgĂŁo consultivo de assessoramento superior. âSe vocĂȘs tiverem inteligĂȘncia de fazer a proposta, eu terei a coragem da gente criar uma polĂtica brasileira de inteligĂȘncia artificialâ.
Lula antecipou que deseja apresentar ao mundo, durante seu discurso na abertura da 79ÂȘ SessĂŁo da Assembleia Geral das NaçÔes Unidas, em setembro, um projeto genuinamente brasileiro de IA. âEntĂŁo, vamos colocar no papel o que vocĂȘs acham que pode ser feito. O que vocĂȘs acham que o Brasil tem que fazer para ser detentor e se apresentar ao mundo para que eu vĂĄ dia 23 de setembro fazer meu discurso na ONU e apresentar nossa proposta de inteligĂȘncia artificial? Vamos aceitar esse desafio e vamos nos tornar grandes, orgulhososâ.
O presidente do Brasil relatou que o presidente da Espanha, Pedro SĂĄnchez, durante visita ao PalĂĄcio do Planalto na quarta-feira (6/3), propĂŽs que os dois governos desenvolvessem um projeto conjunto de inteligĂȘncia artificial. âEle me fez uma proposta que eu achei extremamente interessante, para que o Brasil e a Espanha fizessem uma parceria para que a gente criasse uma inteligĂȘncia artificial na nossa lĂngua portuguesa e espanholaâ, disse.
âĂ possĂvel sentar os pensadores de ciĂȘncia e tecnologia da Espanha junto com os nossos para a gente imaginar uma coisa nova. Para nĂŁo ficar a reboque, mais uma vez, dos acontecimentos de outros paĂsesâ, completou Lula.
COMPROMISSO â Em entrevista Ă imprensa apĂłs o fim da reuniĂŁo, a ministra da CiĂȘncia, Tecnologia e Inovação e vice-presidenta do CCT, Luciana Santos, apontou que a pasta jĂĄ estĂĄ revisando a EstratĂ©gia Brasileira de InteligĂȘncia Artificial. âPrecisamos atualizar a nossa EstratĂ©gia Brasileira de InteligĂȘncia Artificial. E, ao mesmo tempo, regulamentar. Existe uma lei tramitando no Senado, porque ao mesmo tempo que a inteligĂȘncia artificial Ă© uma janela de oportunidades, ela tambĂ©m tem riscosâ, ponderou.
Luciana tambĂ©m ressaltou que o Conselho vai elaborar um plano nacional de IA que leve em conta tanto a parte tecnolĂłgica quanto a mĂŁo-de-obra humana. âO CCT vai apresentar um plano, com metas e objetivos a serem alcançados em um determinado perĂodo. Desde o investimento em equipamentos, supercomputadores que tĂȘm a capacidade de assimilar e sistematizar um conjunto de base dados, atĂ© a capacitação humana nesse processo. Porque nĂłs temos que envolver especialistas em vĂĄrias ĂĄreas do conhecimento e que eles possam se habilitar ao domĂnio da ferramenta tecnolĂłgica da InteligĂȘncia Artificialâ, explicou.
EIXOS â Durante a reuniĂŁo desta quinta, especialistas abordaram quatro eixos temĂĄticos vinculados Ă IA: desafios para aumentar a capacidade digital e investimento em P&D do paĂs; oportunidades e riscos associados Ă s aplicaçÔes de IA; impactos e oportunidades da IA no mundo do trabalho; e InteligĂȘncia Artificial e a integridade da informação.
Para tratar desses assuntos, foram convidados os especialistas VirgĂlio Augusto Fernandes Almeida, membro da Academia Brasileira de CiĂȘncias e da Academia Nacional de Engenharia, e professor titular do Departamento de CiĂȘncia da Computação da UFMG; Silvio Romero de Lemos Meira, professor extraordinĂĄrio da CESAR.school e professor emĂ©rito do Centro de InformĂĄtica da UFPE; Roseli Figaro, professora titular da USP, membro do Conselho Gestor do INCTDSI/CNPq e diretora editorial da Revista Comunicação Educação; e Laura Schertel, professora adjunta de Direito Civil na UnB e no IDP, autora de “Privacidade, Proteção de Dados e Defesa do Consumidor” (2014) e co-chair da sessĂŁo de InteligĂȘncia Artificial e Ătica do BRAGFOST (2020).
O CCT â O Conselho Nacional de CiĂȘncia e Tecnologia foi reformulado pelo Decreto nÂș 11.474, editado pelo presidente Lula em abril de 2023. Uma das açÔes dos primeiros 100 dias de governo, a reestruturação do CCT ampliou a participação de representantes do governo e da sociedade civil e marcou a reativação do Pleno do Conselho.
O decreto estabelece que o CCT serĂĄ composto por 34 membros e contarĂĄ, alĂ©m do presidente da RepĂșblica, com a participação de 16 ministros de Estado, 8 membros entre produtores e usuĂĄrios de ciĂȘncia e tecnologia e 9 representantes de entidades dos setores de ensino, pesquisa, ciĂȘncia e tecnologia.
O CCT trabalha pela reindustrialização do paĂs tendo a ciĂȘncia, tecnologia e inovação como um dos eixos estruturantes do desenvolvimento nacional. Para tanto, tem como uma de suas principais atribuiçÔes a formulação e a implementação da polĂtica nacional de C, T & I.
Por: Planalto