Maduro já está “maduro”, o Petróleo é o motivo e a região Amazônica irá sofrer o impacto!

Farid Mendonça Júnior
Advogado, economista, administrador e Assessor Parlamentar no Senado Federal

O regime de Nicolás Maduro, há anos, vem sendo denunciado por crimes contra os direitos humanos, repressão política e envolvimento direto no narcotráfico internacional. O ditador venezuelano transformou o país em um Estado falido, controlado por milícias, generais corruptos e redes de tráfico. Sua permanência no poder é um insulto à democracia latino-americana e uma ameaça à estabilidade regional. Maduro já está “maduro” para cair. Sua queda, embora inevitável, é questão de tempo, mas deve partir de dentro, do próprio povo venezuelano.

As condições internas da Venezuela são catastróficas. A população sofre com a fome, com a falta de medicamentos e com um colapso completo da infraestrutura estatal. Milhões de cidadãos foram forçados a fugir do país em busca de sobrevivência. Esse cenário humanitário deplorável é resultado direto de uma elite governante que se enriqueceu com o petróleo e o tráfico de drogas, enquanto destruiu o tecido social da nação. A revolta popular cresce, mas ainda enfrenta um aparato repressivo que atua com brutalidade.

Os Estados Unidos, por sua vez, justificam suas ações contra Maduro com base na luta contra as drogas e no combate a um regime criminoso. O discurso norte-americano reforça a narrativa de que o governo venezuelano atua como um cartel estatal, responsável por traficar toneladas de cocaína em parceria com organizações criminosas colombianas e mexicanas. Washington sustenta que sua pressão política e econômica é moralmente legítima para impedir a expansão desse narcotráfico de Estado.

No entanto, o verdadeiro motivo por trás das ameaças e possíveis ações militares americanas vai muito além da questão das drogas. O interesse central chama-se petróleo. A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas do mundo, superando até mesmo as da Arábia Saudita. O controle sobre essa riqueza energética, especialmente em tempos de transição geopolítica e de reconfiguração do mercado de energia, é estratégico para qualquer potência mundial. A queda de Maduro não é apenas uma questão moral, é também uma questão de geopolítica e energia.

Com o aumento das tensões globais, os Estados Unidos buscam garantir novas fontes de petróleo próximas de seu território e sob influência política. A instabilidade no Oriente Médio e a crescente dependência da China em relação a recursos energéticos tornam a América Latina novamente um campo de disputa. Nesse contexto, a Venezuela é a joia cobiçada. Controlar suas reservas significa assegurar poder sobre a matriz energética mundial nas próximas décadas.

Mas uma possível invasão ou guerra na Venezuela traria consequências trágicas e diretas para a América do Sul. O primeiro impacto seria humanitário. Milhares, talvez milhões, de venezuelanos buscariam refúgio nos países vizinhos, incluindo o Brasil. A fronteira de Roraima, já sobrecarregada, enfrentaria uma nova onda de migrantes. Cidades como Boa Vista e Manaus seriam novamente epicentros de uma crise social, com o aumento do desemprego, da informalidade e da miséria urbana.

Estes estados do norte do Brasil, que já receberam milhares de venezuelanos, enfrentariam um colapso em sua capacidade de acolhimento. Hospitais, escolas e serviços públicos poderiam entrar em colapso em poucas semanas diante de um fluxo migratório descontrolado. Além disso, as tensões sociais poderiam aumentar, com episódios de xenofobia, conflitos por trabalho e ocupação de espaços públicos.

A instabilidade na Venezuela também afetaria o comércio e a segurança das fronteiras amazônicas. O intercâmbio entre Roraima e o país vizinho, já limitado, seria interrompido. O exército brasileiro teria de reforçar o patrulhamento, desviando recursos de outras áreas estratégicas. A tensão militar e diplomática comprometeria o equilíbrio regional e reacenderia o debate sobre a soberania amazônica, tema sempre sensível nas relações internacionais.

Do ponto de vista econômico, o Amazonas sentiria os reflexos. O aumento do fluxo migratório pressionaria o mercado de trabalho e os serviços públicos, enquanto a imagem internacional da região como área de instabilidade poderia afastar investimentos e turismo. Manaus, que se orgulha de ser um polo de desenvolvimento e inovação no coração da floresta, seria forçada a lidar com uma crise humanitária em proporções inéditas.

Apesar de todo esse cenário de incerteza, é importante lembrar que a América do Sul não vive guerras há muitas décadas. A região, marcada por conflitos políticos, mas não armados, conseguiu manter uma relativa paz desde o fim das ditaduras militares. Essa tradição pacífica deve ser preservada. Intervenções estrangeiras apenas agravariam as feridas e trariam novos ciclos de dependência e violência.

Portanto, a queda de Maduro, inevitável e necessária, deve ser uma conquista do povo venezuelano, não o resultado de uma invasão externa. A liberdade verdadeira nasce de dentro, da resistência e da consciência de um povo. O mundo pode e deve apoiar, mas jamais impor. Caso contrário, o preço dessa “libertação” será pago não apenas pela Venezuela, mas por toda a região amazônica que, mais uma vez, acabará sofrendo as consequências de uma disputa que não provocou.

Farid Mendonça Júnior
Advogado, economista, administrador e Assessor Parlamentar no Senado Federal

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