O Silêncio de uma Floresta Sem Voz: E se não houvesse a Suframa?
Hoje, celebramos 59 anos de uma trajetória que transformou o destino da Amazônia Ocidental e Amapá. Mas, em vez de listar conquistas, convido você a um exercício de imaginação provocado pelo silêncio. Feche os olhos por um momento e questione: e se não estivéssemos comemorando o aniversário da Suframa hoje?
Se esse projeto de desenvolvimento nunca tivesse saído do papel, a Manaus que conhecemos seria um cenário de ausências profundas. Não estaríamos celebrando recordes, mas sim gerindo a escassez.
Sem a Zona Franca de Manaus (ZFM), o “vazio demográfico” que preocupava o Brasil na década de 60 seria hoje um abismo social.
Onde estariam os 132 mil trabalhadores? Sem os empregos diretos do Polo Industrial de Manaus, teríamos uma massa de pais e mães de família sem o sustento que hoje move nossa economia. Onde estaria o faturamento de R$ 227 bilhões? Esse valor, registrado em 2025, não é apenas um número; é o que irriga o comércio, os serviços e a vida de cada cidadão amazonense.
Sem a ZFM, a pressão sobre a nossa floresta seria insustentável. O modelo industrial é o verdadeiro guardião da Amazônia: ao oferecer alternativa econômica na cidade, evitamos que a pressão sobre o setor primário devastasse nossa biodiversidade. Sem a indústria, a desigualdade econômica seria a nossa única “comemoração”, com índices de pobreza que nos fariam retroceder décadas.
Imagine nossa cidade sem a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Ela simplesmente não existiria. A formação de milhares de jovens médicos, engenheiros e artistas seria um sonho impossível.
Olhe para o setor de Tecnologia e Inovação:
– O Instituto de Computação da UFAM seria um esqueleto sem infraestrutura.
– A Escola de Tecnologia da UEA seria apenas uma ideia.
– Gigantes da inovação como SIDIA, INDT e FPFTech não estariam aqui criando soluções para o mundo.
Os 16 mil empregos gerados exclusivamente por investimentos em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) desapareceriam, levando consigo o cérebro da nossa região.
Se não houvesse Suframa, o nosso Porto não teria o brilho dos terminais privados modernos. O 3º maior Terminal de Carga Aérea do país seria uma pista subutilizada. Até a nossa mesa seria mais pobre: as granjas que fornecem ovos, as rações produzidas no Distrito Agropecuário e as frutas que chegam frescas à feira são frutos diretos do dinamismo que a autarquia fomenta.
A vida na região seria incomensuravelmente mais difícil. Estaríamos isolados, sem os hospitais, escolas e a infraestrutura urbana que o ciclo econômico da borracha, sozinho, nunca conseguiria manter.
Por isso, ao celebrarmos estes 59 anos, meu reconhecimento especial vai para aqueles que carregam esse piano: os servidores da Suframa. Desde os pioneiros, que desbravaram o Distrito Industrial quando tudo era mato, até os técnicos atuais que lutam diariamente na burocracia estratégica para manter nossa competitividade de pé. Vocês são os guardiões desse legado.
Comemorar os 59 anos da Suframa é, acima de tudo, um ato de resistência e orgulho. Convido cada um de vocês a olhar ao redor e valorizar o que é nosso. Não estamos apenas celebrando uma autarquia; estamos celebrando o direito de viver com dignidade, trabalhar e prosperar no coração da Amazônia. Comemorem com alegria, pois a alternativa seria o esquecimento. E nós, brasileiros da Amazônia, escolhemos o futuro.
Vida longa à Zona Franca de Manaus!
Luiz Frederico Oliveira de Aguiar
Superintendente Adjunto Executivo da Suframa
Breve Biografia: Luiz Frederico Oliveira de Aguiar é servidor de carreira da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Mestre em Engenharia de Produção, Especialista em gestão pública e desenvolvimento regional, atua na linha de frente da autarquia como Superintendente Adjunto Executivo, dedicando-se à preservação e ao fortalecimento do projeto ZFM como pilar socioeconômico e ambiental da Amazônia Ocidental.
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