O Triângulo do Desenvolvimento: Um Manifesto de Gestão para a Amazônia do Século XXI.
Por Luiz Frederico Oliveira de Aguiar Superintendente Adjunto Executivo da Suframa
Como administrador público, entendo que a gestão não é apenas o controle de processos, mas a ferramenta máxima de transformação social. Quando olhamos para a Amazônia Brasileira sob as lentes de Joseph Schumpeter, Celso Furtado e Amartya Sen, percebemos que o desafio da região não é a falta de recursos, mas a necessidade de uma nova arquitetura de políticas públicas que una inovação, estrutura e liberdade.
O desenvolvimento da Amazônia não pode mais ser medido apenas pelo PIB regional ou pelo saldo da balança comercial. Os dados recentes do IBGE e do Banco Central nos mostram um crescimento resiliente, mas que ainda não rompeu com a lógica da dependência. Para mudar esse cenário, precisamos de uma gestão que atue em três frentes inegociáveis:
Primeiro, a Inovação como Ruptura (Schumpeter). A gestão pública deve ser a catalisadora da “destruição criadora” no bioma. Não basta manter forte o Polo Industrial de Manaus; precisamos, como aponta o BID, financiar um ecossistema de bioeconomia que transforme a biodiversidade em ativos de alto valor agregado. Isso exige que o administrador público desburocratize o fomento à pesquisa e crie incentivos fiscais voltados especificamente para a biotecnologia.
Segundo, a Soberania Estrutural (Furtado). Não podemos aceitar que a Amazônia seja apenas um corredor de exportação. O Banco Mundial e o IPEA alertam para a nossa carência em infraestrutura resiliente. Uma boa política pública deve buscar a integração das cadeias produtivas locais, garantindo que o valor gerado na floresta permaneça nela, gerando empregos qualificados e fortalecendo o mercado interno regional. O desenvolvimento é, acima de tudo, um projeto de autonomia nacional.
Terceiro, o Desenvolvimento como Liberdade (Sen). Como administrador, minha métrica final é a vida do cidadão. Os avanços na renda média reportados pelo IPEA em 2025 são louváveis, mas insuficientes se o jovem em Manicoré ou em Altamira não tiver acesso a uma educação técnica que lhe permita competir globalmente. Desenvolver a Amazônia é expandir as capacidades humanas: é garantir saúde, conectividade digital e segurança jurídica para que cada amazônida seja o protagonista da sua própria história.
Acredito piamente que a gestão pública profissional pode mudar o mundo. Na Amazônia, isso significa desenhar políticas que sejam tecnicamente rigorosas, economicamente viáveis e socialmente justas. O futuro da maior floresta tropical do mundo depende de nossa capacidade de transformar esses conceitos teóricos em indicadores de bem-estar real. O desenvolvimento não é um destino, é um caminho que se constrói com gestão, ética e coragem.
Referências Bibliográficas:
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Boletim Regional: Outubro de 2025. Brasília: BACEN, 2025. Disponível em: https://www.bcb.gov.br. Acesso em: 28 dez. 2025.
BANCO INTERAMERICANO DE DESENVOLVIMENTO (BID). Amazônia Sempre: Programa de desenvolvimento sustentável e conectividade para a região amazônica. Washington, DC: BID, 2025.
BANCO MUNDIAL. Brasil – Relatório de Desenvolvimento Sustentável e Capital Humano: O desafio da Amazônia. Washington, DC: World Bank Group, 2025.
FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. 34. ed. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2007.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua): Indicadores de rendimento e mercado de trabalho 2024-2025. Rio de Janeiro: IBGE, 2025.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional na Amazônia: Desafios da Bioeconomia. Brasília: IPEA, 2024. (Texto para Discussão, n. 71).
SCHUMPETER, Joseph A. Capitalismo, Socialismo e Democracia. Rio de Janeiro: Editora Fundo de Cultura, 1961.
SEN, Amartya. Desenvolvimento como Liberdade. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
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